terça-feira, 21 de julho de 2009

- Desisti.

«Um dia azul e cheio de sol, num puf cor-de-rosa à beira da janela, um pôr-do-sol a chegar, um passado vivido num presente e uma voz de um coração.»
No Sábado fui de novo àquela praia, onde deixei o meu coração, naquela noite, onde o mar levou tudo o que era meu. Voltei, mas com receio, com receio das memórias que lá deixei, do tempo que lá fiquei, e do nada que levei.
O vento levava-me pelo ar, o calor que tinha no corpo transformou-se em gelo. Mas fui forte, e continuei a caminhar pela areia.
Fui de novo àquele sítio onde me deitei, numa noite de lua-cheia, tinha frio, mas voltei a lutar contra o vento. Tinha a toalha enroscada no meu corpo, e sentei-me de novo onde me tinha sentado desde a última vez. As ondas estavam fortes, embatiam nas rochas como se estivessem magoadas, e, mais uma vez não consegui falar com elas. Chorei, quando me lembrei das memórias que deixei lá de há um ano atrás, onde corria pelo mar fora e não tinha medo, onde passei lá um final de tarde diferente de todos os outros. Voltei para o sítio onde tinha deixado as minhas coisas com as lágrimas a escorrerem-me pelos olhos, vi pessoas a olharem para mim, mas ignorei. Ouvia murmúrios de humanos a dizerem «Ela não merece isto.», outros a dizerem «Ela sofre tanto.», fiquei magoada, por terem pena de mim, mas deitei-me de novo.
Meti os phones, uma música soava nos ouvidos, a mesma, desde à 4 meses atrás, ouço-a sempre, quando sinto a saudade todos os dias, como quando uma pessoa fica viciada em droga e nunca mais consegue parar. Bastaram apenas segundos desde que a música começou a tocar para sentir um aperto no coração, um nó no estômago e uma vontade enorme de gritar.
A minha cabeça mandou-me olhar para trás, pensava que era irreal (mais uma vez), mas não, lá estavas tu. Estavas longe, mas eu via-te. Desta vez, não foi com um sorriso que te vi, nem foi com os teus passos que ganhei forças, não estavas sozinho, nem muito menos perdido como eu. Escondi-me e comecei a chorar, (como sempre). Perguntei vezes sem conta para mim mesma «Porquê?», nem a voz do meu coração conseguia ouvir, apenas um bater forte e irregular no peito.
Tu sorrias, falavas, e não me vias, simplesmente olhavas para o Mundo com uma felicidade, os teus lábios tocaram numa cara que eu conhecia, uma pessoa que futuramente irá fazer parte da minha família. Mas eu ignorei-a, simplesmente via o teu olhar, ele brilhava, como brilhava dantes. O Mundo acabou nesse preciso momento, caí pesadamente na areia sem forças para conseguir manter-me em pé. Chorei, até as lágrimas se tornarem mais uma ferida para sarar dentro de mim.
Fui-me embora, estive no sítio exactamente onde estiveste, sentia o teu cheiro suave misturado com um aroma que não conhecia, fiquei lá apenas segundos, e parti de novo, sem me despedir da praia.
Agora, estou sentada num puf, com um diário nas pernas, o pôr-do-sol está a chegar, as lágrimas voltam e eu perdi, mais uma vez.
Depois desta janela e desta parede, há a liberdade, sinto-a, mas não vou sair, mesmo que me deixem, porque desisti. Desisti de tudo, até de respirar. Talvez esteja a ficar psicopata.
Perdi a força, perdi tudo. Custa-me ver a vitória para alguns e a derrota para outros.
Mas, hoje, amanhã e sempre, irei desistir de tudo, para sempre.
(Desisti, mas irei lutar, apenas por uma só razão.) :''

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