Eu tinha uma história encantada para contar, tinha uma história que poderiam achar que era irreal e que era inventada, mas não, aconteceu, aconteceu mesmo.
Uma história que dava para ter um final feliz, daqueles finais que só não é para a eternidade porque não há magias para viver para sempre.
Eu tinha tudo, tinha tudo para ser feliz, tinha uma Vida, uma família, amigos verdadeiros, um sonho, uma razão de viver e uma alma. Tinha aquele jeito de escrever textos grandes e lindos, de ouvir músicas em todos os intervalos, tinha aquele jeito de chorar sempre que o meu coração batia quando tinha razão de ser feliz, de estar ao lado de quem me dava tudo para sorrir.
Eu tinha uma Vida, e vivia-a. Mas agora não tenho e existo, apenas por existir.
Não é pensar que o Mundo desabou, é o sofrimento que sinto ser tão forte que faz com que fique assim.
Passaram meses, estações do ano, e tudo permanecia, tudo durava, e eu, continuava com a esperança de tudo ser maravilhoso, com a alma cheia de amor, de paixão.
Mas, tudo começou a tornar-se tão irreal, tão dramático, com tanto sofrimento, que tudo acabou por uma simples ordem de Seres Humanos a quem eu tinha de respeitar.
A partir dessa altura, tudo desapareceu, o sonho que tinha criado evaporou-se, a alma derreteu, e fechei-me do Mundo, mas fechei-me para sempre. Tudo o que queria era fechar o meu coração e não deixar entrar mais ninguém, deixar as mágoas dentro de mim, permanecer com o sofrimento de uma História de Amor que está num intervalo, num intervalo eterno (ou não).
Agora, neste tempo presente, dizem-me que tenho de seguir em frente, de deixar tudo para trás.
Mas, falam como se tudo fosse fácil, como se tudo não passasse de um simples amor (ou ilusão como eles dizem), como se tudo se esquecesse de um momento para o outro.
Passou um ano, passaram quatro estações, e o Verão voltou, as férias chegaram. Mas, o que é que isso me interessa?
Faz simplesmente que me recorde de tudo o que passei, basta que me lembre das promessas, algumas já quebradas, outras que permanecem dentro de mim. Faz com que as imagens de momentos irreais, mágicos me voltem à cabeça, à alma, que faz com que as guarde dentro de mim.
Passaram 340 dias desde o primeiro “Olá.”, passaram 340 noites com sonhos encantados ou pesadelos com razão de existirem, passaram mais de 8 mil horas de fazer de tudo para ser feliz, de lutar e lutar contra uma maré cheia, com ondas e redemoinhos a sufocarem-me o coração.
Passou tudo, tão de repente, tão depressa, que não tive tempo de despedir-me da Vida.
Agora, neste momento, está de noite, as horas avançam, o coração bate, (talvez isso seja uma vitória), a praia e o mar é o alcance, as ondas estão fortes, a água está quente, a areia molhada, as estrelas estão a brilhar de felicidade, outras choram de sofrimento.
O tempo passa, o banco (aquele banco) está vazio, eu espero, espero e espero.
Eu prometi, eu vou cumprir.
É meia-noite, a lua está cheia, vem aí os fantasmas, está na hora de mais uma noite de pesadelos. Antes de me ir embora, desenhei um coração com um nome lá dentro, o mar levo-o, deixou apenas areia lisa, molhada e pegadas da minha existência.
Pego nos chinelos, e no diário, abandono a praia como se ela fosse a minha Vida, como se fosse só minha abandono-a com lágrimas de sofrimento, outras de amor. Vou lá voltar, um dia.
Quando estiver pronta para falar com as ondas de novo.
Isto é verdade, é real, isto pertence-me, é meu.
Eu fui feliz.
Mas, no entanto, acho que é uma história demasiado dramática para acabar assim.
1 comentário:
Gostei mesmo deste texto :)
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