Não reparam nela. Alias, ninguém repara. Estava deitada na lua, a olhar as estrelas. Era uma rapariga simples, com o seu próprio estilo e a tentar ser inferior a todos os outros, pois o que ela queria era ser invisível. Nessa noite, pediu mais uma vez à sua estrela para que o seu herói voltasse. (tantas vezes ela pede isso.) Tantas noites ela esperou por ele, tantas noites deixou a janela do quarto aberta para ele entrar, tantas vezes acordou de madrugada com a voz dele no pensamento, (aquela voz suave e linda que lhe fazia parar o coração). Mas, o seu príncipe nunca veio, e talvez nunca irá vir.
Ela compôs uma música para ele, numa noite de Verão. Qualquer coisa como 26 de Agosto, (era dia de lua-cheia e um dia diferente, ele sabe). O caderno e a caneta escreviam a letra, a tinta já quase gasta pintava o caderno com versos de uma vida, e as folhas, estavam já quase gastas pelo tempo. As teclas do piano, estavam molhadas, talvez pelas lágrimas que ela deitava.
Depois de a música estar escrita, faltava compô-la. E ela, com as lágrimas novamente, sentou-se no chão, escrevia num caderno de música, as notas. Queria pôr dó bemol, mas saia-lhe dó sustenido. Queria subir uma oitava, mas não conseguia. (porra, é fá! não! é sol!), (não, talvez fique melhor si depois do fá). Ela estava a ficar doida (depressão dizem os entendidos), o seu coração não conseguia mais, estava desesperada, mas como não tinha sono e queria tanto fazer aquilo, continuou. Sentou-se de novo em frente ao piano, a música começava a formar-se e as notas começavam a ter sentido.
Passou uma hora, duas, três. (…) Olhou para o telemóvel, marcavam 5:08 da manhã, em breve o nascer do sol iria chegar, e ela iria poder vê-lo, como todos os dias o vê. Ela continuou a tocar, as teclas estavam escorregadias, e a música ficava cada vez mais triste, mas não se importou. Depois da música já pronta, abriu ainda mais a janela e foi para a varanda, o azul claro do céu começou a aparecer e a deixar a escuridão da noite fluir por entre a floresta. O cabelo dela voava com o vento, estava vento, muito vento até para uma manhã de Verão. O pensamento dela dizia «como era bom ter-te aqui.» O vento começou a soprar ainda mais, e ela fechou a janela. Mais uma noite sem dormir.
Guardou a música que tinha feito e na noite seguinte iria acabá-la. A rapariga chegou à conclusão que só assim poderia sobreviver.
(Olhei novamente para a mesinha de cabeceira, (estava diferente). Estava cheia de caixas de comprimidos, um copo de água, um diário e um telemóvel, olhei novamente para o visor, talvez com a esperança de ter uma mensagem tua, mas não. Nada tinha. Apenas marcavam 7 horas da manhã.
Alguém abriu a porta do meu quarto, e suou no meu ouvido algo como: «porque estás acordada a estas horas?» A minha boca não tinha forças para falar, e os meus olhos não conseguiam olhar para trás, estavam inchados e vermelhos. Mas fui forte e disse algo como: «pela mesma razão de à 5 meses.» O outro ser respondeu com um tom de desprezo: «e porquê que estás a chorar?» Nessa altura, eu levantei-me, abri os olhos e respondi: «por me terem tirado a minha maior força de viver.»
A porta fechou-se, as lágrimas escorriam pela cara com mais força, o silêncio percorreu o quarto, apenas as árvores mexiam lá fora. Caí no chão, magoei-me e comecei a sangrar na mão. Era um pequeno vidro que tinha sido deixado lá numa outra noite. Não me importei. Quem eu queria que estivesse ao meu lado, não apareceu, mais uma vez.)
- Ontem vi-te, passei mesmo ao teu lado. Foi repentino, mas a tua beleza cativou-me mais uma vez. {fui buscar mais força ao teu rosto mágico.} Não me olhaste, mas eu olhei-te, vi-te, e o coração bateu forte. Cheguei a casa, subi as escadas, fui para o chuveiro, não me importei de estar vestida. A água escorria, era fria, muito fria, mas não faz mal. Sentei-me e as primeiras gotas de água escorriam pelo cabelo e encharcavam a roupa. As lágrimas voltaram a escorrer e eu fiquei novamente fraca. Formou-se um rio de memórias numa pequena casa-de-banho e a tua cara apareceu novamente com o desejo de a poder tocar.
Mais uma vez doeu, e as feridas não sararam. O herói não veio, e ela permaneceu à espera. Chora, mas ninguém sabe o seu sofrimento. :'
3 comentários:
Vi-te nos seguidores do meu blog e vim ver o teu mundinho, quis descobrir o que escrevias e fiquei completamente maravilhada. Parabéns, muito sinceramente parabéns! E muita força porque sabes, um herói é sempre um herói e um verdadeiro herói nunca abandona o que sofre por ele. Por isso, acaba essa música, abre o teu coração, vai para aquela casa de banho as vezes que forem necessárias e fica acordada à noite se precisares disso. Mas melhora, melhora rápido e por muito difícil que seja, sê FORTE! E se mais ninguém acreditar em ti... Eu acredito :$
Beijinho (':
Já sabes tudo o que penso. Concordo plenamente com a Gabriela. Podes sofrer outro meio ano (...) mas acabará tudo por passar. Não sei o que dizer, mas tu sabes, tu sabes escrever o que sentes, ainda que apenas seja uma aproximação à dor que realmente sentes. Oh, tu percebes né? E verás, daqui a uns tempos tu vais sorrir mesmo muito, e vais voltar a ser feliz * Eu tenho mesmo a certeza que consegues :)
Beijinhos , gosto mesmo muito de ti. Não me admires, admira-te a TI própria !
És um mundo, essas palavras fascinam-me podes crer :$
Escreve outra coisa ainda hoje! :D
Mia? Obrigada (:
Um beijinho para ti (:
LUTA SEMPRE!
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