terça-feira, 15 de setembro de 2009

- Força.

«A rapariga ia no caminho que faz diariamente para o colégio. Tinha os tios à sua frente e o primo ao seu lado nos bancos de trás. Eram 07:44 da manhã, estava frio. O cheiro do início das aulas estava a entrar pela janela meia aberta.»
Saímos do carro.
«Boas aulas. Portem-se bem!»
A rotina desta frase é constante, meu deus. Atravessamos a passadeira, víamos as crianças mais pequeninas todas contentes. Os adolescentes contrariados. E os professores com cara de cansados. É normal, pensamos nós. Entramos no colégio, a multidão de pessoas era inacreditável.
«Tanta gente.»«
Até logo, prima.»
«Adeus, primo.»
Ele foi indo ter com os amigos, eu fiquei parada. Era estranho, eu estava estranha e tinha mudado.
As pessoas chagavam-se a mim, conhecia-as, mas tinham crescido, elas abraçavam-me, davam-me beijos, e eu mais uma vez, não entendia. Porquê tanta alegria? Foi só 2 meses, até parece que foi dois anos.
«Como estás, 63?»
«Estou aqui e estou viva, não estou?»
«É que não parece, estás com uma cara…»
«Pois.»
“Como estás diferente, Mariana.” – o coração começava a falar mais alto. Sentei-me no lugar habitual onde à 2 meses não me sentava, estava igual. A minha marca no chão, a paz, o sossego. A música começou a tocar, e a esperança voltou, não queria mais esta vida, estava farta de amizades superficiais, criadas em 2 dias e sem serem verdadeiras. O relógio do telemóvel marcava 08:14, faltava 1 minutos para entrar, mas eu não queria. Levantei-me, fui para a porta da sala. (mais beijos, mais abraços, mais conversas.) Sentei-me no fundo da sala, queria ficar sozinha, mas não deixaram. Era uma amiga de infância, não me importei. Gosto muito dela. E ela sabe que gosto do silêncio e da paz.
As aulas passavam, as coisas eram repetidas, as apresentações eram iguais. Os intervalos eram chatos, 15 minutos a ouvir música, apenas isso. Quando voltei para a sala, sentei-me novamente no mesmo lugar, e continuei a escrever.
«Sara, estás a ver aquele de rosa?»
«Sim, o que tem?»
«Ele assim de costas, é tão parecido com o coise
«Tens razão. Mas só de costas, porque de frente não tem nada a haver.»
«Não, eu não vou chorar, eu vou ser forte.»
«Marýý, podes chorar, mas não aqui, não agora.»
«Está bem, Sara. Está bem.»
As horas não passavam, os ponteiros não avançavam, era a última aula da manhã, mas parecia a mais comprida.
«Podem sair, meninos.»
Quando acabamos de almoçar, fomos para um muro já gasto, elas sentaram-se, eu sentei-me no chão, a música no air começou a tocar, e eu aí, tapei-me e comecei a chorar.
«O que se passa, Mariana?»
«Nada, está tudo bem. É normal isto vindo de mim, acho que não há um dia que não chore.» (sou mesmo ridícula.)
«Vamos para outro sítio, está toda a gente a olhar.»
«Já está quase na hora, vamos para a sala.»

- A rapariga disse ao rapaz que ele o fazia lembrar o seu herói, mas este garantiu-lhe que não era da família. Ela disse que não fazia mal. Mas que era uma forma de quando o olhava de trás, o seu cabelo, e a sua forma morena, eram uma forma de ter mais força. É apenas um miúdo, com menos mentalidade do que eu, mas ainda bem que não começou a pensar coisas, porque, ele apenas é parecido, mas não é igual, nem muito menos gémeo, porque não há comparação possível.
-Sim, é esta a rotina de uma rapariga que agora, a sua vida não faz sentido.

(que texto mais simples, e mais anormal, mas pronto.)

2 comentários:

gabrielapinto disse...

Andas distante mas... tudo bem.

Anónimo disse...

Aquela tua história, a que me contaste hoje de manhã quase que me fez chorar, mas quis apenas mostrar-me forte. Disse o que ouviste e olhava - te nos olhos e via que querias chorar. :' Não queria que chorasses, não é que o meu ombro tivesse indisponível, pelo contrário. Mas sabes que eu estou aqui. :'
amo-te. <3
/s.