Vai, deixa os dias amargosos cheios de nada. Deixa-me e sai da minha alma.
Vai atrás dos vagabundos, esses sim, precisam de ti.
Não percorras mais a minha alma, ela esgotou. És um silêncio absurdo cheio de fracasso.
Não corras até mim, já bastou. Não me sufoques a alma como tantas vezes me fizeste.
Sim, agora tenho medo de ti. És forte, e nunca estás em Paz. Não, não é por o Inverno ter chegado. Sempre foste assim, eu é que estava cega e não entendia. Quando tentava falar para ti, apenas ouvia o teu barulho das ondas, mas elas eram calmas, e macias e para mim, tudo estava bem.
Estou a falar do mar, que em tempos era o meu desabafo.
Pedi-te ajuda, e trouxeste areia molhada.
Olhei para ti num final de tarde ao pôr-do-sol, eras lindo, o sol brilhava na tua água clara, sabes?
E via o reflexo de um príncipe encantado, daquele príncipe. Não, ele não estava lá, mas eu via a sua cara nas memórias que tinha, era mágico e dava-me paz e sossego.
Via namorados juntos, enroscados nas toalhas, a darem um beijo sincero. Sim, aquilo parecia amor.
É impressionante como dás tudo a alguns e dás nada a outros.
Tenho raiva de ti, por seres infinito e fazeres as marés que te apetece, quando te apetece. Deve ser fácil, não?
Não te importas em sufocar alguém. Aliás, quem tem de ter cuidado somos nós.
Ontem na aula de piano, tive que tocar uma música, e lembrei-me dos tempos em que era feliz. As lágrimas voltaram, já era do cansaço também, mas o desespero aumenta a cada folgo do coração vazio. A música era linda, juro que era, mas linda de mais para não me tocar no lado esquerdo do peito.
Preciso de um conforto e de um abraço, mas o herói não vem, e talvez não virá.
É deprimente e frustrante, sabem? :’
Estou a falar para o nada. Já pensei em cancelar isto como já fiz a tudo o resto, mas no meu caso, sou uma rapariga que não tem nada, apenas uma esperança, e escrever, é o que me resta.
Não, não confio mais no mar. Não sei porquê, mas algum dia saberei.
Hoje sentei-me naquele banco, não, ninguém sabe como o coração bateu forte e como as lágrimas saíram dos olhos tão cansados.
Queria passar lá horas infinitas, mas tinha de ir embora, uma nuvem escura estava a invadir o céu.
A máscara na cara faliu, não aguentou mais, já sabia. Agora os sorrisos falsos deram lugar a uma cara pálida e desfeita.
Só precisava de um sussurro ao ouvido de uma voz suave a entrar no meu peito, e nesse momento saber que podia ser feliz, sem medos, nem preocupações. Apenas uma palavra a suar no meu ouvido, um sussurro, e um sonho.
«Sonhos, quem não os tem?» :'
domingo, 11 de outubro de 2009
- O Mar?
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1 comentário:
Somos verdadeiras sobreviventes, Mariana :)
Gosto mesmo muito de ti.
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