domingo, 17 de janeiro de 2010

- a outra.

E agora que caiu a noite, agora que a escuridão invadiu a solidão do coração, agora que não há amanhã, agora que não há razão para viver, eu estou parada da vida, sem razão alguma para querer acreditar, estou sem nada que me consiga dar forças para continuar.
Hoje tive coragem de voltar ao
(nosso) banco, tive coragem de pegar no diário e de ver a nossa fotografia.
Hoje chorei, sem medo das máscaras, chorei com a alma, e chorei sem me preocupar com o olhar encovado e os olhos cheios de dor.
«As pessoas não notaram.»
Agora sou a “Outra”, a “Outra” que ensinei ao meu coração a ser, mas que não sou eu. A “Outra” que acredita ainda, mas que não há motivo para acreditar. A “Outra” que pensa demasiado nos outros, e tanto ajuda, que só se magoa ainda mais.
A “Outra” que só irá descobrir que está viva quando os seus dias na Terra estiverem quase a terminar.
A “Outra” que pensa que o herói irá voltar, mas que está enganada.
E quando essa “Outra” perceber que tudo mudou, já será tarde demais. E a Mariana, quando deixar de ser a “Outra”, vai ficar mais magoada com ela, porque errou em tudo.
«Este sentido de lutar, esta vontade de ser.»
E agora?! Agora, aqui me encontro, cheia de medo do que se passa lá fora, com a alma demasiado apagada para ser reanimada. Uma alma, que mesmo que tente recarregá-la a bateria já está viciada.
«Sim, já me considero como uma máquina, que dá para brincar, enquanto dura.»
E enquanto “Os Outros” estão vivos, cheios de alegria, paz e amor, “A Outra”, que sou eu, anda em baixo, caminhando em passos curtos, em modos estranhos, sem nenhuma prova para provar a sua existência, enquanto que “O Outro” está vivo, e mudou.
«Mas não, não faz mal.»
E se tu um dia regressares, (se regressares), e se eu cá já não estiver, eu vou ficar de consciência tranquila, porque sei que cumpri a minha promessa, e que tu voltaste.
Mas não vou deixar de estar perdida no meio do mar.
(necessito demasiado de ti.)

Tudo o que vejo à minha frente, é o vazio, e à minha volta, o silêncio.
Para que lado me hei-de virar?
(tu protegias-me.)

Mas sabes? Guardei dentro de mim, sim, aqui dentro do meu ser, aqui ao meu lado, uma parte de ti, a parte que mais amo, aquela. que há muito tempo me soube ensinar a crescer e a amar, uma parte de ti, a parte mais verdadeira, a parte sincera, a parte de como eras, quando me pertencias.

Mas isso? Óh, isso foi há muito tempo.
Agora? Agora não és assim. Não te conheço.

Não é a parte de desumano que és agora, não! Essa é falsa, essa provoca-me dor.

3 comentários:

máffz. disse...

é dificil não ter :x
mas estou preparada para o enfrentar. de que nos vale o medo se isso só nos torna mais fracas ? :/
e tu, mariana, tens que ser apenas A MARIANA, a feliz :x

alexandra disse...

acabou a força meu anjo . sexta conto - te o que se passou ontem ( domingo ) :'' .

diana costa. disse...

lindo o texto : )
- compreendo certas coisas que aí dizes ;x