«Mariana, conjuga o verbo existir, no modo condicional.»
«Não pode ser antes o verbo sobreviver? E de preferência, no futuro?»
«Mas, porquê?»
«óóh, porque (…)»
«aah, pois. Está bem, como querias.»
E os dias foram-se embora, como as tempestades que correm numa noite.
E as pessoas partiram, com medo da vida. E as folhas caíram das
árvores com o medo de morrerem.
Já me mataram, o que resta, é somente um corpo mal desajeitado, cheio de rabiscos, com um coração mal feito e uma alma pintada de nada.
E já me chamaram de tudo, e eu sempre me senti ser um nada. E embora eu sobreviva somente um ontem que me marcou, eu sei que fui feliz. Eu sei que olhei para ti cheia de coragem e determinação.
E quando passo por alguém, esse alguém não sabe que passei, porque dei passos curtos, cheios de derrota, passos que não deixaram marcas da minha existência, passos que nunca serão iguais àqueles que eu dava sempre que caminhava para junto de ti.
«Mariana, sai da chuva, está frio e muito vento.»
«Já viste a força do vento a embater na chuva?»
«Não.»
«Então sai daí e sente isso.»
«Meu Deus! Tens razão.»
«É a liberdade que eu te falava.»
A rapariga ficou em silêncio.
«Pronto, é hora de ir embora. Adeus.»
«Até amanhã, Marýý.»
E agora que desisti de lutar, vou entregar-me aos fantasmas, vou-me deixar levar pelo vento, vou partir na brisa que corre que vai em direcção a tua casa, vou abrir a porta do teu quarto de mansinho, vais estar a dormir, mas eu vou-te dar um beijo de despedida na mesma. Não irás sentir, mas pelo menos sei que me despedi de ti.
E a brisa correrá e sairá do teu quarto, eu fecharei a porta e levarei comigo o teu cheiro natural, e o teu olhar verdadeiro. Sentirei os teus lábios frágeis e nunca irei faltar à minha promessa. Nunca!
«Éramos felizes e nem sabíamos , J.» :'
2 comentários:
adoro - te :'
amo-te irmã. :'
<3
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