segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Aconchego-me no manto quente que me envolve o corpo e as minhas mãos movem-se e entrelaçam-se uma na outra para se aquecerem.
Hoje está uma noite fria, e não consigo ir para a varanda escrever no diário.
O chão onde estou é duro o suficiente para não me fazer cair, eu sei.
As minhas mãos estão suficientemente quentes para conseguir escrever, mas vou escrever o quê? Sobre quê?
Movo-me em sintonia com o vento forte que está a correr com o tempo. Amanhã já será Terça-Feira, e depois Quarta, e passado dois dias já estaremos no fim-de-semana. O Mundo passa demasiado depressa, assim como eu aos poucos vou envelhecendo. O corpo que nutre em mim ainda é forte, ainda persiste em aguentar as coisas, e o meu poder mental ainda é capaz de escrever. Sinto-me pequena aqui, sinto que este não é o meu lugar e que as pessoas que me pertencem não estão bem comigo. Nem o próprio manto que me cobre consegue-me aconchegar, nem as mãos de humanos me conseguem fazer sentir-me a mim própria. Era óptimo se me pudesse abraçar a mim mesma, sentir o meu corpo. Nem a criatura mais poderosa e incrivelmente perfeita me dá conforto suficiente para eu conseguir amar, amar-me! (you know).
Nunca saberei quando estará a altura de eu partir, mas gostava de sentir isso, sentir o que é estar entre a saída da vida e os portões da morte. Gostava de me entregar às mãos do céu. (quando lerem isto vão-me chamar de louca!)
Que resta do Mundo? O que resta de nós, sim, de nós! Somos uma raça humana, que nem vivos estamos. Não há cura, ninguém tem cura. É altura de dizer que choro tanto por mim, e por ti, e por vocês. (:' . )

É hora de ir acordar os sonhos e de me entregar novamente a eles. Se contar a alguém o que tenho sonhado nestes últimos dias, irão achar-me com problemas psíquicos muito, mas mesmo muito graves.

- amanhã será normal andar em caminhos sem destino, será normal não ter alma e será normal estar com cara de morte, cara de alguns meses atrás. sou muito estranha, sou mesmo muito estranha. :' , e tenham medo de mim, porque é normal.

Até depois.
( só mais uma coisa ... peço desculpa a todos a quem falar mal amanhã, daquilo que conheço da minha mente, não estarei para ninguém. )

obrigada por chorares comigo sempre, música mais linda, obrigada por seres minha companheira nas noites frias.


3 comentários:

cristiana mendes disse...

não consigo estar por cá, quero ir-me,! (:'.) estou tão cansada!

Joana Filipa Bernardo disse...

" sinto que este não é o meu lugar e que as pessoas que me pertencem não estão bem comigo. Nem o próprio manto que me cobre consegue-me aconchegar, nem as mãos de humanos me conseguem fazer sentir-me a mim própria. Era óptimo se me pudesse abraçar a mim mesma, sentir o meu corpo. Nem a criatura mais poderosa e incrivelmente perfeita me dá conforto suficiente para eu conseguir amar, amar-me! (you know).
Nunca saberei quando estará a altura de eu partir, mas gostava de sentir isso, sentir o que é estar entre a saída da vida e os portões da morte. Gostava de me entregar às mãos do céu. (quando lerem isto vão-me chamar de louca!)
Que resta do Mundo? O que resta de nós, sim, de nós! Somos uma raça humana, que nem vivos estamos. Não há cura, ninguém tem cura. É altura de dizer que choro tanto por mim, e por ti, e por vocês. (:' . ) "
Tenho acompanhado o teu blog e o da Cristiana. E porquê? Eu não vou dizer que escrevem coisas bonitas. Coisas bonitas são relativas, e subjectivamente interpretativas para quem lê, para o espectador, derivado à experiência de cada um. Ao ler os vossos blog's, eu sinto. Avivam-me a memória do que faz parte do que sou, e muito do que fiz. Em tudo o que pensava, vivia, sentia e escrevia. Sim, também escrevia, e escrevo. Agora não de uma forma tão exposta. Dedico-me mais à expressão através da plasticidade. Adoro o facto de eu sentir necessidade de me exprimir, de me exprimir ao mundo, e constatar que vocês, entre outras pessoas certamente, também revelam essa necessidade. O porquê de vocês, é que eu ao ler os vossos textos, ao captar cada palavra e cada intensidade dela, sinto-o. Sei que não são clichés, nem que escrevem por escreverem. Existe uma vontade, uma força transcendente, um (quase) vício, um grito de expressão, tal como a mim, quer em escrita, ou plasticidade, existe o grito da expressão. E se esse existe, só demonstra, prova e consolida que ainda existem pessoas que sentem, sentem verdadeiramente; que pensam, reflectem, QUESTIONAM-SE, tentam descobrir-se, entenderem-se. Preocupam-se com o mundo, partilham as suas experiências com eles, como um grito em que estes consigam, nem que um bocadinho, serem puros, (in)conscientes.
Um grito de expressividade, neste caso três.
Um beijinho enorme às duas, e continuarei a acompanhar-vos, completando com a minha contribuição, com a minha participação, de várias formas, deste lado, deste pensamento paralelo, expressivo, e cheio de força. Porque pessoas assim, como vocês, não são frágeis. São lutadoras, fortes, genuínas, e corajosas, por tantas vezes tocarem e abordarem questões que fragilizam e são "tabus" do mundo, que a maior parte não lhes toca, pois há um pensamento, um sentimento, uma auto-descoberta que (quase) ninguém quer fazer, quer-se entregar, e quer VIVER REALMENTE, neste, ou noutros mundos, lugares, seja o que for.
Vivam realmente, e esse viver passa por isto mesmo.
Humanamente vivos, (in)consciente(mente) - grito de expressividade.
http://www.facebook.com/#!/note.php?note_id=119504124787280

Joana Filipa Bernardo disse...

P.s. Esta música, qual é?